O antibiótico faz mal para a saúde de meu filho?

“Doutor, o antibiótico faz mal para saúde de meu filho?”

Essa é uma pergunta que eu costumo ouvir todos os dias e não canso de orientar: se usado CORRETAMENTE, o antibiótico faz bem! Quem faz mal é a bactéria!

Vamos entender um pouquinho para que serve o antibiótico?

Ao examinar uma criança e perceber que sua saúde não está bem, temos que ir atrás de um diagnóstico. Quando está com febre, logo pensamos em infecção. Segundo o dicionário Michaelis, infecção é a “ação exercida no organismo por agentes patogênicos: bactérias, vírus, fungos e protozoários”. Opa! Como o próprio dicionário diz, quando falamos em infecção, temos que pensar em vários “bichinhos” diferentes. Bactérias são diferentes de vírus, de fungos e de protozoários. Cada um tem uma forma e uma constituição própria, fazendo com que precisemos de armas também diferentes para combatê-los.

Em uma guerra, quando o inimigo voa, são utilizados determinados tipo de armas, quando ele vem por terra, outros, e, se vem por mar, temos que pensar em outra forma de combatê-los. Com o nosso organismo, funciona parecido. Se é vírus, nossos soldados de defesa atacam por terra, brigando de verdade, corpo a corpo. A febre sobe no início da infecção, mostrando que o “clima esquentou” ou que está tendo briga no pedaço (nossos soldados encontraram os vírus e começaram a combatê-los). Depois do segundo ou terceiro dia, nosso organismo costuma dar conta do recado, a febre vai indo embora e as secreções (coriza, vômito, diarréia, muco etc) vão limpando a cena do combate.

As bactérias já são um pouco mais danadas que os vírus. Nosso exército até tenta lutar por terra no início do quadro, mas, ao ver que não vai dar conta do recado, vamos ficando mais debilitados, prostrados, tentando guardar energia para que a luta continue. Aos poucos, o sinal de alerta vai se tornando mais frequente (a febre deixa de ser espassada e aparece a intervalos cada vez menores) e a secreção (catarro) mais amarelada e esverdeada, mostrando que há muitas bactérias no pedaço. Nosso exército precisa de reforços! É aí que entra o antibiótico: um verdadeiro tanque de guerra que, após ingerido (ou injetado), entra na circulação sanguínea e vai até o local de batalha (pulmão, rins, amigdalas etc) com a finalidade de destruir as bactérias invasoras.

Se chamamos o tanque de guerra adequado (uso de antibiótico correto), conseguimos matar todas as bactérias, sem abalar as estruturas adjacentes: um tiro certeiro e definitivo. Se o tanque de guerra for muito grande (antibiótico mais forte do que é preciso), ele acaba passando por cima de mais bactérias do que deve, fazendo um estrago desnecessário. Digo isso, porque temos bactérias boas no nosso organismo, que ajudam, por exemplo, a fazer a digestão dos alimentos.

Além disso, se o tanque passar na rua em um momento em que não está tendo guerra de bactérias, mas guerra por vírus, ele vai disparar um monte de tiros, matar tudo que tem ao redor, menos os agentes da infecção, já que os vírus não são destruídos por esta arma (lembram que eu falei anteriormente que vírus são diferentes de bactérias, e as armas utilizadas também devem ser diferentes). Além de não matar os vírus, pode ocorrer algo inusitado: uma bactéria paparazzi fotografa a arma e divulga para todas as outras como o tanque funciona. Quando ele aparecer para uma briga de verdade, as bactérias ruins já conhecerão o seu mecanismo de ação e, portanto, estarão RESISTENTES a este antibiótico, tornando-o ineficaz para o combate da infecção. Aí teremos que chamar tanques cada vez mais fortes, pelo uso indevido do antibiótico (lembram que na televisão falaram de uma tal “super bactéria”?!).

Por isso não podemos mais comprar antibióticos na farmácia sem receita médica!

Nem sempre uma garganta vermelha tem bactérias para serem combatidas. Na maioria das vezes (cerca de 80%), a infecção é causada por vírus. Portanto… nada de sair por aí tomando antibiótico quando a garganta estiver irritada. O médico deve ser consultado para comprovar a real existência de bactéria, já que ela não usa uniforme com identificação!

Um abração a todos e ótimo 2011, com poucas infecções!

15 comentários sobre “O antibiótico faz mal para a saúde de meu filho?

  1. Entendi.
    Cresci tomando pouco antibiótico, lembro que tomava em casos extremos o Infectrin. O bom do cuidado da minha mãe é que se eu tô.ar algo forte, tenho ótima resposta. E é mais ou menos o que quero fazer com meus filhos.
    Me utilizo primeiro de métodos naturais e só se o quadro ficar feio, entro no remédio. Até porque vírus de resfriado por exemplo tem um ciclo. É só esperar passar. Obrigada pela resposta.
    Abraço.

  2. Olá Laura, bom dia! Obrigado pela sua pergunta!
    Em muitas infecções, temos alguns sinais que diferem vírus de bactéria. Por exemplo, nas infecções de vias aéreas superiores, quando temos secreção clarinha, parecendo água, febre baixa, espirros e a garganta está apenas um pouco vermelha, pensamos em vírus. Por outro lado, se a secreção é esverdeada, o catarro mais espesso, febre alta e tem placas de pus na garganta, estamos lidando, provavelmente com um quadro de infecção por bactéria. Na medicina, aprendemos a diferenciar infecção de bactéria e vírus em cada lugar diferente (ouvido, garganta, pulmão, etc), os quais apresentam suas características próprias. Por isso a medicina não é tão simples assim. Sobre a sua dúvida de ter “certeza se é bactéria ou vírus para então se receitar um corticóide”, há um equívoco. Saber se é vírus ou bactéria é importante para se usar antibiótico. O corticóide pode ser usado nas duas situações, dependendo da gravidade, com o objetivo de reduzir a inflamação e os sintomas. Abraço!!

  3. Olá Thiago,
    A dúvida que fiquei é como se verifica se a infecção é por bactéria ou vírus, como o médico vê isso sem um exame laboratorial?
    Pergunto porque quando meu filho está com resfriado, querem que eu dê Prolone, que contém corticoide. Eu me recuso.
    Pois não acho que seja saudável ficar dando corticoides por causa de resfriados.
    O máximo que dou é um anti-histamínico… Mas em último caso também, para aliviar o mal estar inicial dos sintomas.
    Enfim, a pergunta é a certeza se é bactéria ou vírus para então se receitar um corticoide.
    Obrigada

  4. Olá Thaisa! Este procedimento é necessário, para que se evite uma nova infecção urinária. Ruim tomar antibiótico por esse tempo? O melhor seria não tomar, mas nesta situação é inevitável. A dose para prevenção é baixa, então, ele está fazendo mais bem do que mal. Pode sim alterar um pouquinho a flora bacteriana natural da criança, mas nada que não se resolva após a suspensão do medicamento. Continue seguindo as orientações de seu médico.

  5. Minha filha tem 1 ano e 9 meses e teve infecção de urina duas vezes no intervalo de 1 mês..
    tomou antibiótico tudo certinho e novamente senta sem nada..
    mas a pediatra dela pediu para fazer exames com um urologista para ver se nao tem nenhum problema como o refluxo urinario.. e como demora para ser atendida ela receitou dar o antibiotico keflex ate ela ser atendida entao seria 20 dias tomando direto uma vez ao dia..
    gostaria que me respondesse se todo esse tempo tomando antibiótico não estaria fazendo mal a ela!
    Obrigadaa
    Thaisa

  6. É possível sim, em algumas situações:
    – nas primeiras 72 horas (3 dias) após o início do antibiótico, pois precisamos deste período para ter certeza de que ele está fazendo o seu adequado efeito.
    – após 72h, se ainda apresentar febre, é provável que a bactéria seja RESISTENTE a este antibiótico. Deve-se consultar o médico para uma POSSÍVEL troca por outro.
    – após 72h, se ainda apresentar febre, é possível que não seja infecção bacteriana, mas sim infecção causada por VÍRUS. Lembro que o vírus não morre com o antibiótico, e tem seu tempo de ação auto-limitado.

    De qualquer forma, se após 72h ainda apresentar febre, o médico deve ser consultado.

  7. Adorei a explicação.

    Mas gostaria que me explicasse algo.
    Confesso que memso com orientação médica tenho medo de dar antibióticos a minha filha.
    Então minha filha tem 3 anos e tem Rinite alegica em menos de 1 mês foi receitado para ela 1º Amoxilina pq estava com catarro no pulmão, menos de 15 dias após o tratamento ela começou a ter febre e aí foi detectado sinusite
    resuminido teve que tomar antibiótico novamente só que dessa vez foi receitado ZITROMIL, confesso que estou muito preocupada.
    será que o fato de tomar dois antibióticos diferentes em menos de 1 mês pode fazer mau a saúde dela?

  8. Thiago, sua explicação é nota máxima.
    Eu sou farmacêutica e enfrento uma luta para convencer as pessoas de que antibióticos não são suco de laranja que a gente toma para qualquer espirro. Tem gente que para de tomar antes e diz: Ah, o médico mandou tomar dez dias, mas é muito, eu só tomei cinco e parei, faz mal.
    Como assim?
    Bjs
    Telma

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