Pequenos Tiranos

Neste último final de semana, tive que ir ao Shopping e acabei saindo de lá um tanto quanto reflexivo. Um sentimento de angústia já começou na garagem, quando eu não consegui vaga para estacionar. Depois de algumas voltas, arrumei o bendito espaço, e então fui fazer o que tinha que ser feito.

Não consigo caminhar sem observar o comportamento das pessoas! Quem dera se conseguisse. A angústia que começara na garagem, refez-se ao ver aquele monte de gente correndo de um lado para o outro, sei lá atrás do quê! Aquele zum zum zum interminável, a música de natal que mais parecia um hipnótico, e os pequenos tiranos! Sim! Digo sem medo de ser feliz! Quanto tiraninho que vi neste shopping! Verdadeiros reizinhos acompanhados de seus súditos adultos!
Não sei se é porque estou ficando velho ou o quê. Mas vou te contar. Ter filho pra se tornar escravo e depois dizer que ta difícil criar criança no mundo de hoje… não né! Cadê aqueles pais que simplesmente olhavam a criança com o canto dos olhos? E aquelas mães que falavam “não!” apenas uma vez? Aonde elas estão? Alguns de vocês podem estar pensando: no meu tempo, não era respeito, tínhamos medo de nossos pais!  Bem… como vou respeitar o fogo se não tiver medo de me queimar? Como vou respeitar as leis de trânsito se não tiver medo de me acidentar (ou de ganhar uma multa!). Deixemos esse blá blá blá de lado e vamos voltar a educar as nossas crianças de forma efetiva! Sem medo de errar, ou de ser avaliado pelos outros! Ah… mas agora não pode mais bater! E eu pergunto… não dá de educar sem as famosas palmadas?!  Você não consegue? Então porque foi se meter a ter filho, criatura de Deus?! Isso é irresponsabilidade. Talvez faltaram palmadas pra você!
Aos poucos, fui vendo algumas coisas que foram se tornando repetitivas, na medida em que eu caminhava: uma menina que mal cabia no carrinho, era levada pela mãe de um lado para o outro. Ela só ia apontando aonde queria ir. Se a mãe “pedisse” para esperar um pouco (sim! A mãe pedia à filha para parar o carrinho!), lá ia a tiraninha se espernear, como se fosse um bebê sem paciência para mamar. A menina tinha pernas, e funcionavam! Pois logo ela saiu do carrinho e foi choramingar com o pai (boca aberta!) que estava ao lado (e não fez nada!). Não contente, voltou para o carrinho e conduziu sua mãe.
Numa loja de brinquedo, eu fiquei com dúvida sobre quem tinha o dinheiro: a mãe ou a criança? Onde está aquela magia de Natal que faz com que a criança queira se comportar durante todo o ano para ganhar um presente do Papai Noel? As crianças simplesmente apontavam: quero esse, esse e esse aqui também. Os brinquedos eram retirados das prateleiras, como se elas estivessem em suas próprias casas. No meu tempo, encostou em algo sem pedir, nem precisava bater! E isso eu faço questão de dizer!! Levei apenas uma boa surra na vida (merecida e não fiquei com traumas, viu!?)! Antes disso eram só boas olhadas! E olha que funcionavam. Regras básicas existiam: não toque em nada do que não é seu, não saia do meu lado, não peça nada porque eu não vou comprar. Presente é no Natal e pronto! Gente… e não é que eu sou feliz!? Não é que deu certo?! Não é que eu não tenho raiva de minha mãe e de meu pai porque eles me ensinaram assim… não é que eu os amo muito mais por terem me criado desse jeito?!
Ah Thiago… Tu está dizendo isso porque tu não tem filhos! Pode ser. Mas se você teve um, provavelmente sabia o trabalho que teria para criá-lo. Ou não?! Ah… você também não sabia como se faz filho, né?! Sei… Desculpe-me.
Gente… na boa! Nem oito, muito menos oitenta! Não fiquemos com medo de dar limite, de falar para a criança não pegar aquilo que não é dela, de esperar o Papai Noel para saber o que foi que ele escolheu. De negar um presente caso a criança não tenha se comportado! Sim!!! Ganha se merece. Se não merece, não ganha! Medo de deixar seu filho triste, né?! Pois bem, eu tenho medo de que você não dê limites suficientes para seu filho e depois se arrependa disso!
Pense bem antes de sair por aí fazendo todas as vontades de seu filho. Ele vai crescer, e vai ser muito triste se não for sempre do jeito que ele quer. E nesse mundo… sabemos que não é tudo do jeito que queremos.  Não é mesmo?!

8 comentários sobre “Pequenos Tiranos

  1. Thiago, fico tão feliz em saber que não estou sozinha nessa linha de raciocínio! Também observo o comportamento dos outros e fico pasma (sim, o inferno são os outros). No consultório da pediatra a sala de brinquedos fica vazia, enquanto os pequenos ficam sentados na sala de espera com seus tablets no colo e seus pais mexendo no celular…
    Vivo me questionando o porquê de não educarmos como nossos pais, pois se foi justamente desse jeito que fomos criados e vimos que deu certo! Pelo menos essa nova geração de pais terá a resposta para o famoso questionamento “onde foi que eu errei”! 😦

  2. Muito bem colocado Fabiola! Penso assim também, como já coloquei na discussão do Facebook. De qualquer forma, o objetivo deste artigo foi justamente mexer um pouco, causar um rebuliço, instigar e irritar as pessoas para que a discussão acontecesse. Claro que os valores devem estar bem fundamentados para que possamos educar as crianças com princípios… porém… sabemos que a “boca não é boa”, que “o buraco é muito mais embaixo”!! Se as famílias não tem valores definidos, algo deve ser feito para INICIAR o processo e não perdermos uma geração inteira de crianças. Se o pai ou a mãe não dão conta… Que venha o Papai Noel para nos ajudar!!! hehehehehehe… Abraço!!

  3. o problema atual é que educação se faz com exemplo, e os pais não são exemplos de controle consumista, de valorizar o ser e não o ter… o problema é que as pessoas e as crianças deveriam agir corretamente pelo simples fato do que é certo e não porque o Papai Noel está de olho ou tem uma lista… Crianças são crianças e os limites que impomos devem estar fundamentados em valores, senão, não é educação/criação, mas sim imposição, regra vazia… crianças pulam, correm e mexem nas coisas e as querem para si. O fato é que fazer comprar não deveria ser programa de final de semana, mas sim brincar, correr, sujar-se e… As crianças são o que dizemos que elas são e infelizmente colocamos limites na alma e na expressão delas e não apenas limites éticos e de segurança… Abraço!

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