De Galinha Pintadinha a Anita: uma questão de tempo!

Participar da vida e do crescimento de uma criança é algo fantástico! A pediatria me dá esta possibilidade: cuidar de alguém que está bem, sadio, para evitar problemas futuros. Aliar profissão e realização profissional faz do meu trabalho uma extensão da minha própria vida. Dificilmente consigo separar o “pessoal” do “profissional”, e talvez isto explique a paixão que tenho pelo que faço.

As coisas vão indo bem, as crianças crescendo, se desenvolvendo. Uma conversa aqui, outra lá… Pais ouvindo atentamente as orientações, querendo saber um pouco mais sobre o que podem fazer para melhorar a vida de seus filhos, para torná-los mais saudáveis. Entre conversas sobre alimentação e vacina, surgem as orientações sobre comportamento, desenvolvimento psicológico e emocional. Não são coisas baseadas na minha experiência de pai, até porque eu não tenho filhos (apesar de ser filho); e se fosse assim, seriam pitacos e não orientações: “Maria, você pode fazer desse jeito, porque com o meu filho deu certo”. Não! Assim não funciona! O que serve pra um, talvez não sirva para o outro.  Tento fornecer orientações de alguém que estuda o tema, que observa atentamente o comportamento de milhares de crianças e que, com base nisso, tenta minimizar as ansiedades e aflições de pessoas que talvez até saibam como fazer, mas que precisam de um empurrãozinho para colocar em prática todo este potencial. Este é meu trabalho.
Claro que nem tudo dá certo como planejamos. Muitas vezes, quando nos deparamos com uma notícia, repensamos tudo! Será que estou fazendo certo? Será que a informação que estou passando está sendo processada pelos pais e realmente incluída em suas vidas?! Algo que me deixou extremamente preocupado, foi a notícia veiculada na internet na última semana: “Galinha Pintadinha será o primeiro canal do Brasil a atingir  1 bilhão de visualizações”. Pensa! Se considerarmos que todas as crianças entre 0 e 10 anos que temos no Brasil assistiram a algum vídeo da penada, temos 30 milhões de crianças acessando 33 vezes o tal canal! Como sabemos que tem muita criança que não tem acesso à internet, fico ainda mais preocupado: Ou tem criança assistindo mais de 30 vezes este show de falta de criatividade hipnótica, ou seus pais, aproveitando o tempo em que seus filhos estão dormindo, correm para a internet para assistir tranquilamente aos vídeos, acompanhado de uma taça de vinho!! Não é possível!?  O que esperar de uma população que tem como base cultural a Santa Penosa?!
Talvez eu seja chato, extremista ou idealista como alguns dizem, não sei. Mas por favor! Procure outras formas de diversão para seu filho. Algo que não esteja vinculado ao consumismo, que não o hipnotize, que dê possibilidade de entrar em contato com sons mais complexos, letras mais amigáveis, imagens mais artísticas. Seu filho merece! Ele merece ser inteligente, ter cultura, se distrair com coisas de boa qualidade.
Mas todo mundo vê, né?! Que preguiça de procurar algo melhor. Preguiça?! Pare e pense nos efeitos colaterais, talvez você mude de ideia! Seu filho começa a vida ouvindo Galinha Pintadinha, passa por Justin Bieber (ótimo exemplo!) e termina, sem possibilidade de  tratamento, ouvindo Anita! Doeu? É só uma questão de tempo. Não esqueça: a criança é fruto do ambiente em que vive, do ar que respira, da comida que come, da música que ouve, do clipe que vê, e por aí vai! Cuide de seu filho de forma integral. Dar comida e pôr na cama para dormir não basta!

11 comentários sobre “De Galinha Pintadinha a Anita: uma questão de tempo!

  1. Acredito que tudo (adequado à idade) na medida certa é saudável, principalmente se encarado como entretenimento. Às vezes me pegava assistindo a pópó, como diz meu filho, pois ilustra através de clipes a maioria das músicas de nossas infâncias. O lado comercial muitas vezes para os pais acaba servindo como um “incentivo”. Para escovar os dentes, por exemplo: a criança de 2 anos não tem maturidade suficiente para entender de fato por que deve escovar os dentes. Você inventa brincadeiras, associa a higiene (pra não vim bichinhos na boca) mesmo assim dependendo do humor dela muitas vezes não é suficiente. Enfim, mesmo que algumas músicas possuam caráter educativo, não podemos permitir que elas eduquem nossos filhos. A vida é muito mais que qualquer entretenimento. Procuro ser sempre melhor que meus pais e costumo dizer que meu filho deve ser melhor do que eu, para isso deve ter oportunidade de experimentar/conhecer de tudo um pouco para fazer as melhores escolhas possíveis no futuro. Abraços e parabéns pelo blog.

  2. Que fique claro: minha intensão não é deixar ninguém mal, viu?! hehehehe… Bem pelo contrário, é apenas tentar a iniciar uma reflexão, uma transformação para o bem. Exponho o meu ponto de vista. Se é verdadeiro ou não, não sei. Mas é o que penso, sinceramente. Sobre as músicas, sugestão… Isso é muito pessoal, individual, varia com a história de vida de cada um, mas Castelo Ra-Ti-Bum, Palavra Cantada e Co-có-ri-có são alternativas que podem ajudá-la. Mais pra frente vou mergulhar um pouco mais neste tema. Abraço!

  3. Aii, Thiago, vc fala coisas tão verdadeiras que doem. Criar e Educar filho dá um trabalho… e nem todos estão dispostos. As crianças aprendem muito com o que veem em casa, com o comportamento dos pais. Esses dias eu vi uma atitude que não gostei na minha filha, conversei com ela e 2 horas depois, lá estava eu fazendo o que me irritou nela, me deu vontade de chorar e dar umas 50 chibatadas em mim. Depois da maternidade, temos por obrigação sermos melhores pessoas, para que nossos filhos possam ser melhores tb. A minha filha, com qse 8 anos, já passou da fase da Galinha Pintadinha, mas morro de medo que chegue na fase da Anitta. Mas estamos tão pobres de música, não estamos ? Sempre me pergunto, o que ela vai ouvir ?? Alguma sugestão ?
    Sobre os aplicativos que entretem a criança, há muitos eficazes, e sempre a deixo de “castigo” sem usar nada eletrônico e isso é bom, pq assim descobrimos novas formas de brincar, nos divertir e nos aproximar mais.
    Nunca se canse de escrever e de puxar nossas orelhas, por favor.
    Abraços

  4. Só para complementar. Acho importante este posicionamento: minha maior crítica é à forma com que as coisas são conduzidas e não à galinha, propriamente dita. Não acho o repertório ruim, se não for só ele. Não acho as músicas ruins, se não forem apenas elas. A Galinha Pintadinha, neste ano, faturou 50% sobre as músicas e 50% sobre os produtos. Ou seja, os pais pagam para deixar seus filhos assistindo a uma propaganda! É como você colocar a criançada sentada na frente da televisão com a mensagem: Beba Coca Cola, por 1 ou 2 horas… as crianças vão querer beber Coca Cola. No caso da GP, as crianças querem consumir a marca “Galinha Pintadinha”, o que acaba se sobressaindo ao repertório em si, à qualidade das músicas, etc. A minha crítica está neste ponto. Não na galinha em si, coitada cocó.

  5. “aproveitando o tempo em que seus filhos estão dormindo, correm para a internet para assistir tranquilamente aos vídeos, acompanhado de uma taça de vinho!! ” Ri alto agora!!!!
    Eu tenho o aplicativo da Galinha Pintadinha no celular, até acho bonitinho e tals, mas, como diz meu marido ela é a carta da manga… sabe quando vc está em um restaurante, o filho cansou dos brinquedos que levamos, já correu o local umas 50 vezes e começou a ficar chatinho, mas a comida ainda não chegou, dai apelamos para a “penosa” – a carta na manga para quem não tem mais nenhuma opção. É igual dançar Anita no carnaval, todo mundo vai, mas não quer dizer que todo mundo goste.

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