Guarda compartilhada: da lei à realidade.

Parece que estamos  dando um passo na direção certa. Agora, ao se separarem, os pais terão a guarda compartilhada de seu filho automaticamente, mesmo que não haja acordo. Ontem foi aprovado no Senado o projeto que determina esta regulamentação. Falta só a sanção da presidente.  Algumas exceções poderão ser avaliadas, como por exemplo, quando um dos dois, lamentavelmente, abrir mão da guarda. Mas a preferência será dada ao compartilhamento da guarda.

Oras… Nada mais justo e adequado! O filho é dos dois, não é? Tudo bem que tem muita coisa no meio da história de cada um — ou de cada dois —, mas temos que entender que a criança tem o direito de conviver com ambos, de forma igualitária. Não há mais casal, ok. Mas ainda há pai e mãe, que até onde sabemos, colaboram com cinquenta por cento do material genético e, teoricamente, deveriam colaborar com o mesmo percentual das responsabilidades que envolvem a criação de um filho (e colher os bons frutos disso!).  Se esta função não pode ser exercida sob o mesmo teto, deverá seguir sob tetos diferentes, mas ainda em conjunto, por mais difícil que seja esta tarefa.
Bem, na maioria das famílias que acompanho no consultório, percebo que as mães ficam com os filhos durante a semana e os pais se responsabilizam durante os finais de semana.  Será que esta divisão está sendo adequada? O pai consegue estabelecer limites da mesma forma, convivendo com a criança em momentos tão diferentes? A mãe consegue ter momentos de lazer durante a semana para equilibrar as tarefas repetidas da rotina diária? Como a criança sobrevive a esta segmentação? Quais as associações que ela faz? Quais as lembranças que ela terá de seus pais na vida adulta? Quais as repercussões desta polarização em seu desenvolvimento? Se esta divisão está sendo adequada para criança, que bom! Mas de uma forma geral, percebo mais tranquilidade nas novas famílias aonde o pai está presente também durante a semana e a mãe tem oportunidade de curtir o ócio junto ao seu filho aos sábados e domingos.
Com a guarda prioritariamente compartilhada, as chances de haver uma divisão mais justa parece maior. Mas só são chances. Se o vínculo não for bem estabelecido desde o começo, ou seja, se a criança não tiver a certeza sobre qual o papel de seu pai e de sua mãe em sua vida, esta experiência pode ser verdadeiro desastre! De nada serve uma lei que determina algo tão importante se os pais não tem condições de realizar.
Cabe aos adultos ter a maturidade de entender que o fim de uma relação de casal não significa o fim de compromissos perante uma criança que está em desenvolvimento. Assim como o filho terá um imenso trabalho em se readaptar a nova realidade — por mais fácil que isso pareça para os adultos —, os pais também deverão se esforçar para recriar este vínculo entre pai e mãe em prol da saúde mental do pequeno.

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