Dor na nuca. Meningite? Atualizando calendário de vacinas.

Quando a criança está com febre alta, uma das primeiras coisas que a mãe pergunta para o filho é: “Dói a nuca?”. Quando a resposta é sim… Não há coração que resista! Normal! O medo de meningite segue várias gerações, por sua gravidade e pela rapidez que a doença evolui.

O cérebro se comunica com a medula espinhal (o cérebro dentro do crânio e a medula dentro da nossa coluna). Imagine que o cérebro é o centro do computador, e a medula, o cabo que conecta os periféricos (teclado, mouse). A grande diferença é que nosso computador e seus periféricos são lacrados em conjunto. São envolvidos por três capas: as meninges. Elas circundam o cérebro e a medula, como o papel filme que usamos para embalar alimentos e malas.
Meningite é a infeção da meninge (termina em ite, assim como faringite, amigdalite, otite, Edite. Ops! Edite não!). Bactérias, vírus e até mesmo fungos podem tentar invadir estas camadas de proteção. Por isso a gravidade da doença. Se estes agentes conseguirem atingir o cérebro, teremos problemas!
As meningites virais podem evoluir como um resfriado: febre baixa, coriza, mal estar e dor de cabeça. Nas infeções causadas por bactérias, os sintomas geralmente são mais graves e evoluem rapidamente: febre alta, mal estar, vômitos, dor de cabeça intensa, manchas no corpo, dor na nuca e dificuldade para dobrar o pescoço, ou seja, encostar o queijo no peito. Temos que cuidar, pois esta alteração também pode estar presente na meningite causada por vírus ou em qualquer outra doença em que a criança apresente febre. Portanto, os pais podem sim fazer este teste em casa. Mas cuidado! Se a criança não conseguir encostar o queixo no peito, não significa que ela está com meningite. Há uma chance, apenas. O médico (e não o farmacêutico) deve ser consultado.
O diagnóstico é confirmado com a avaliação do líquor, aquele líquido retirado da medula espinhal. É ali que são identificadas as alterações celulares que determinam se há infeção e qual o agente causador. Portanto, se houver a suspeita, o médico irá realizar este exame.
As meningites virais, assim como quase todas as outras infeções causadas por vírus, são tratadas apenas com sintomáticos, ou seja, com medicamentos que aliviam os sintomas de dor e mal estar. Só para lembrar, não tratamos vírus com antibiótico (para a tristeza de muitos pais que adoram dar antibiótico até para… Deixa pra lá!), pois o próprio organismo dá conta do recado e não há medicamento específico para estes vírus.  E as meningites bacterianas?! Estas sim! Devem ser tratadas com antibiótico o quanto antes.
O calendário de vacina da Sociedade Brasileira de Pediatria determina que as crianças devem ser vacinas contra vários agentes causadores de meningite bacteriana, aquela mais grave.
 
Pneumococo: além de causar pneumonia, otites (infeção de ouvido) e sepse (infeção generalizada), também provoca meningite. Podemos vacinar as crianças com a vacina pneumocócica do posto de saúde, que contém proteção contra 10 tipos diferentes de pneumococo ou com a vacina 13-valente, disponível nas clínicas privadas. Está é mais completa e deve ser realizada sempre que possível. São 4 doses: aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço após 1 ano de vida.
 
Haemophilus Influenzae tipo b: assim como o pneumococo, o Haemophilus pode causar otite, pneumonia, sepse e meninigite. A vacina contra esta bactéria é encontrada nos postos de saúde e nas clínicas. Ambas as vacinas tem cobertura para: Haemophilus, difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. As vacinas do posto de saúde, por conterem bactéria viva inativada da coqueluche, podem causar um pouco mais de reação, além de não conterem na mesma vacina a paralisia infantil. Dessa forma, se a opção for pela vacina do posto, será necessária mais uma picada. São realizadas doses aos 2, 4 e 6 meses com reforço aos 15 meses. 
 
Meningococo: a meningite meningocócica, ou seja, causada pelo meningococo é uma das mais graves e de maior mortalidade. Por isso a importância de vacinar as crianças e adolescentes contra esta bactéria. Hoje as crianças podem receber as primeiras doses da vacina igualmente, nos postos de saúde e clínicas. Vacina-se contra a meningite C aos 3 e 5 meses, além de dois reforços (com 1 ano e 6 anos de vida). Recentemente, foi lançada uma vacina contra 4 tipos de meningococo: A, C, W e Y. Quase o alfabeto inteiro! Esta vacina já está sendo preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunização. São duas marcas: uma licenciada para crianças a partir de 2 anos (vacina meningocócica ACWY conjugada ao mutante diftérico) e outra licenciada recentemente para crianças a partir de 1 ano (vacina meningocócica ACWY conjugada ao toxóide tetânico), podendo então, ser utilizada como primeiro reforço.
Você ainda tem dúvida se deve ou não vacinar seu filho? Então me responde uma coisa: por que não existe mais varíola no mundo? Por que não existe mais paralisia infantil em nosso meio? Porque as pessoas foram vacinadas mané! Taix tolo?!

4 comentários sobre “Dor na nuca. Meningite? Atualizando calendário de vacinas.

  1. Oi! Eu tenho 14 anos e sou vacinada contra meningite mas tenho uma dúvida: a vacina protege contra a viral ou a bacteriana? ��Namastê��

    1. Reativando o site… tempos depois! A vacina protege apenas contra a meningite bacteriana. Temos a vacina contra a meningite C, a vacina contra as meningites A,C,W e Y, e uma terceira vacina contra a meningite B. Todas bactérias. Não há vacina para meningite viral.

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