Reflexões

Tem tanta coisa bacana neste congresso, que estou perdido sobre o que escrever. Fico aqui pensando em alguns temas, aí vem tudo junto na minha cabeça! Arggg… Quem me conhece sabe que, nessa hora, se estivesse na consulta, eu já teria “engatado a primeira” e começado a falar, falar, falar… E logo viria aquela frase: “Vixi! Tem que examinar a criança antes que a consulta acabe!” kkkk

Acho engraçado vir a um congresso para ouvir coisas do tipo: crianças tem que ter rotina, hora para acordar, dormir, comer, tomar banho. Os pais tem que dar limite, não podem dar brinquedos toda hora e nem comida considerada inadequada.
Bem… em suma, parte do congresso é isso, mas de um jeito elaborado (kkkk). Parece fácil (e engraçado!!). Mas é justamente nas coisas que parecem ser mais simples, que os pais estão passando trabalho e tendo muita dificuldade de conduzir, a ponto de ficarem verdadeiramente perdidos.
Até aqui, fica claro que não é só você que está passando por estas dificuldades. Com certeza não seria realizado um congresso inteiro para resolver o seu problema! Não estou sendo mal educado. Estou mostrando o seu limite. Você não é o único. Legal, né?!
Nossa sociedade está passando por um período que mistura excesso de controle e busca da perfeição (fantasiosa), com uma boa dose de individualismo. Por que que eu digo isso? Justifico: Você tem que ser o melhor, mais bonito, mais inteligente, mais rico, mais feliz, mais, mais, mais… a ponto de se achar o mais especial (exclusivo!). Como você não é (mas tenta mostrar ser), acaba transferindo esta ilusão de perfeição para seu filho, fazendo de tudo para que ele e os outros acreditem nisso. Pensa na responsabilidade!
Mas me diz… Pra que ser perfeito?! Pra que ter um filho realmente perfeito?! (você sabe que isso é impossível, certo?!). Será que realmente há necessidade de conquistar a perfeição? Não responda pra mim, responda para você mesmo (já tenho bastante problema pra resolver! :P).
Se você realmente acha que seu filho é perfeito, posso pensar em duas coisas: você está satisfeito com a imperfeição dele (mas não elaborou isso direito e prefere pensar que isso é a perfeição); ou você está vivendo no modo “iludido”, mantido por compensações (para seu filho), antidepressivos (para você) e outras coisitas mais. Claro que tem aqueles que sabem que seus próprios filhos não são perfeitos, acolhem suas imperfeições e seguem a vida com menos peso nos ombros, juntos.
Baixou o Freud de novo aqui. Deixa eu mandar ele ir embora. Pera aí.
Devemos aprender a abrir mão de certas coisas para conquistarmos outras. A criança tem que querer crescer para poder fazer coisas de gente grande. Tem que abrir mão de comportamentos de criança para ter acesso a coisas de adulto, mas isso no tempo certo, quando realmente for a hora. O papel dos pais é justamente mostrar e delimitar este caminho, como margem de um rio, e não trazer o mar para perto da fonte (coisas de adulto para a criança).
Os limites são necessários, os “nãos” (margens do rio) são de extrema importância para que ele consiga seguir o seu curso. Se não houver margem, ele transborda!! Aí vem ansiedade, depressão, comportamento inadequado, irritabilidade, hiperatividade e por aí vai. Lembre-se que este rio é caudaloso e cheio de energia, que pode ser usada para o bem ou para a (auto)destruição. Não podemos confundir limite com opressão. Dar limite, é ajudá-lo a seguir o caminho certo. Opressão é… Mariana! Lembre-se da barragem de Mariana. A opressão gera uma força reativa muito grande, capaz de fazer grandes estragos.
Mas o que isso tem a ver com a perfeição?! O rio segue seu curso, com um caminho tortuoso, bordas irregulares… Mas segue, chega a algum lugar. Suas margens não precisam ser perfeitas para que a beleza exista, para que ele consiga chegar ao mar.
Não esqueça que dar limite (mesmo que de forma imperfeita) é função crucial de pai e mãe. Se você tem dificuldade com isso, procure ajuda, pois você não está fazendo adequadamente o seu papel.
Boa semana!!
PS 1: no congresso também conversamos sobre doenças, como pneumonia, otites, dengue, zika e outras coisitas mais, ok?! Mas disso, ninguém tem medo de falar. Sobra informação. Quando der tempo, escrevo sobre.
PS 2: se sonhar com rio, Freud explica! kkkk

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