Deu a Zika! O guia mais completo e esclarecedor sobre o Zika Vírus da internet!

E com a gripe bombando na mídia, o Zika vírus ficou em segundo plano! Mas não é que ele ainda está por aí? Logo, logo, quando a poeira baixar, com certeza voltaremos a ouvir falar nele. Então, se você é do tipo ligado e  quer saber mais sobre a doença… Parabéns! Veio ao lugar certo! Porque hoje, aqui no Blog Thiago Pediatra, deu a Zika!!!

Claro que você não acreditou que este é o guia mais completo e esclarecedor sobre o assunto, certo?! Só escrevi isso para você clicar e ler o artigo, ok?! hehehe… Funcionou! Agora que já está aqui, aproveite ao máximo o que eu lhe trouxe. Escrevi este artigo com base em um vídeo bastante explicativo, protagonizado pela Dra. Rosana Richtmann (infectologista) e pelo Dr. Renato Kfouri (pediatra). São profissionais de ponta no campo da infectologia pediátrica.

Para a leitura ficar mais leve, resolvi escrever o conteúdo com um tempero a mais. Espero que gostem! O vírus – ops! – O vídeo está no finalzinho do texto. Ah! Quando você ler “a” Zika, estou falando da doença; e “o” Zika, refiro-me ao vírus. Boa leitura!

Que doença é essa? 

A Zika é uma doença infecciosa, causada pelo Zika vírus, um “primo” do vírus da febre amarela e da dengue, todos da família Flaviviridae. Você não tem esse sobrenome também, né?! O Zika vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (e, em menor frequência, pelo Aedes albopictus), assim como o vírus da febre chikungunya, dengue e febre amarela.

Talvez você leia ou ouça falar em arboviroses. Este é o termo utilizado para indicar as doenças transmitidas por um artrópode (mosquito). Facilitando a vida, podemos dizer que a Zika é uma virose. Olha que lindo! Mais uma virose para você xingar os pediatras!

A viagem do Zika

Pra gente não ficar falando abobrinha do Zika (nem do Brasil), nada como saber um pouco de história! Já diria meu pai e irmão, professores desta área!

Em 1947, na Uganda, foi realizado o primeiro registro do Zika vírus. Este nome foi escolhido, justamente porque o vírus foi encontrado em uma floresta, assim chamada: Zika. Quanta criatividade! Hehehe

Em 1964, o primeiro sortudo foi infectado! Em 2007, alguns invejosos da Polinésia Francesa e da Micronésia (ilhas do Pacífico) também apresentaram a doença. Hoje, o Zika é como o McDonalds! Em tudo quanto é canto você pode encontrá-lo!

No Brasil, tivemos o primeiro caso registrado em maio de 2015, com aumento de casos bastante rápido nesse período. Há duas hipóteses para a chegada do vírus: ele pode ter vindo com alguém contaminado durante a Copa de 2014 ou, em agosto do mesmo ano, no Campeonato Mundial de Canoagem, onde vários competidores vieram das tais ilhas do Pacífico. Acredita-se mais na segunda hipótese, pois há similaridade genética entre o Zika da Polinésia com o que está circulando no Brasil.

Pra quem achava que um mosquito veio perdido no avião ou que o Aedes tenha atravessado o Pacífico batendo suas asas… Desculpe decepcioná-lo.

Vários países da América do Sul e América Central já registraram a presença do Zika. Fala-se que é uma questão de tempo para que o vírus chegue a todos os países americanos, exceto Chile e Canadá, que podem ficar de foram por não apresentam condições favoráveis à reprodução do mosquito. Pelo visto, mosquito não gosta de frio!

Como se transmite a doença? 

O Zika é transmitido pela picada do mosquito infectado. E olha o detalhe: apenas a fêmea transmite a doença! Ela é infectada picando um humano, e sai por aí picando e contaminando todo mundo! Até o fim de sua vida, a mosquita (se tem presidenta, tem mosquita sim!) pode infectar várias pessoas.

Ah! Ninguém pega Zika pelo simples fato de estar no mesmo ambiente que outra pessoa com a doença. Só se tiver o azar de ter o mosquito daquela “marca” (Aedes aegypti) participando da mesma festa e picando todo mundo. Mas aí é azar demais, não? Por outro lado, foram identificadas vias de contágio como transfusão sanguínea e contato sexual. Apesar de o vírus já ter sido identificado em saliva e urina, não se sabe ainda se pode haver transmissão por esses fluidos.

Quais os sintomas da Zika? 

Os sintomas mais comuns são mal estar, dor de cabeça (cefaleia) e manchas na pele (erupções cutâneas), geralmente acompanhadas de coceira. Duram pouco tempo e desaparecem espontaneamente. Além disso, os olhos podem ficar avermelhados (conjuntivite) e as articulações podem ficar inchadas (edema), principalmente nos membros inferiores.

Estes sintomas são facilmente confundidos com chikungunya e dengue. Mas observe algumas diferenças: na dengue, o quadro é mais exuberante, com mal estar importante, febre alta e dores pelo corpo, além de sangramento, que pode se tornar bastante grave. Na chikungunya, a dor e inflamação nas articulações são mais intensas e podem durar meses depois do quadro agudo da doença.

Após a picada, quanto tempo depois surgem os sintomas? 

O tempo entre a picada e os primeiros sintomas é de 3 a 12 dias. Chamamos esse período de incubação.

Existem exames que diagnosticam o Zika?

O diagnóstico é realizado por um exame de sangue ou urina, chamado PCR. O tempo que o vírus circula na corrente sanguínea (viremia) é muito curto. Portanto, consegue-se detectar o vírus no sangue até no máximo 7 dias. Na urina, ele é eliminado por um pouco mais de tempo. Recentemente, estão disponíveis testes sorológicos, que são exames (também de sangue) que detectam anticorpos contra o vírus. Mas estes ainda são pouco acessíveis.

E se der Zika?!  Existe tratamento? 

Não há tratamento específico, apenas sintomático: dor, febre, coceira. Não disse que era uma virose?! Não há antibiótico para o problema. Você, que lê o Blog, deve estar craque nisso: antibiótico é para bactéria. Infecções virais são tratadas com medicamentos para alívio dos sintomas.

Quais complicações podem estar relacionadas ao Zika vírus?

Esse vírus gosta do sistema nervoso, ou seja é neurotrópico. Sendo assim, as pessoas (adultos e crianças) infectadas pela doença podem apresentar a síndrome de Guillain-Barré, que é uma paralisia ascendente (acomete primeiramente as pernas e vai subindo até o nível do tórax), geralmente simétrica (duas pernas ao mesmo tempo), sendo potencialmetne grave, com necessidade de hospitalização. A sorte é que essa complicação é pouco frequente.

Nas gestantes, o vírus entra na corrente sanguínea, atravessa a placenta e chega no sangue do bebê. Como tem grande afinidade pelo sistema nervoso, acabam surgindo as complicações neurológicas conhecidas: microcefalia (cabeça pequena), calcificações cerebrais (cicatrizes calcificadas no cérebro) e hidrocefalia (espaços dilatados dentro do cérebro, preenchidos por líquido). Foram observadas também, algumas alterações articulares nos bebês.

O comprometimento parece ser mais importante quando a infecção acontece no primeiro trimestre de gestação. A infecção pode ser devastadora no cérebro do feto. Infelizmente, pode ocorrer um dano importante, como atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, perda de audição e visão.

Ah! A história de microcefalia em crianças grandes (com até 7 anos) não existe, viu gente?!

A ultrassonografia reconhece a microcefalia logo no começo da gravidez?

O diagnóstico ultrassonográfico de microcefalia só pode ser realizado depois de várias semanas da infecção (20 a 29 semanas de idade gestacional). Quando há suspeita, o ultrassom acaba tendo que ser realizado com mais frequência.

Vacinas vencidas podem ser a causa de microcefalia?

Não. Esta possibilidade já foi descartada. Além disso, as vacinas de rotina continuam sendo indicadas para a gestante (gripe, hepatite B, tétano e coqueluche), sendo consideradas seguras.

Como prevenir a doença?

Prioritariamente impedindo a picada do mosquito, com repelentes e mecanismos de barreira (chique, né?! tô falando de roupa comprida!). Indica-se o uso de roupas claras, mangas e calças compridas. Sobre os repelentes, são indicados aqueles à base de Icaridina (proteção mais prolongada), DEET e RA3535, licenciados pela Anvisa. As gestantes também podem usá-los. Bebês abaixo de 6 meses não devem usar repelente, então lembre-se de utilizar telas nas janelas, mosquiteiros e também as roupas compridas (e frescas, se estiver calor!).

Continua sendo importante a velha orientação de eliminar os focos e criadouros da larva do mosquito. Retire os pratinhos das plantas, as lixeiras sem tampas, pneus, etc. O mosquito voa baixo e em curtas distâncias. Então cuide do seu espaço que já será de grande valia!

As gestantes devem cancelar alguma viagem? 

Se possível, deve-se evitar viajar para áreas em que o vírus está circulando, principalmente nos primeiros meses de gestação. O problema é que o mosquito infectado não lança purpurina colorida no ar, indicando aonde está.

As mulheres que querem engravidar, devem adiar seus planos? 

Difícil essa pergunta, hein?! Ainda há a orientação para que se tente adiar um pouco a gestação. Se possível, até que se conheça melhor a doença e sejam disponibilizados exames diagnósticos mais adequados. Mas, se a vontade de ter um bebê é maior do que o medo de contrair a doença, converse com seus familiares e tome os cuidados necessários.

Mulheres que tiveram a Zika, devem aguardar pelo menos 6 meses após os sintomas para encomendar o bebê. Se foi o marido que contraiu a doença, orienta-se o mesmo tempo para a gravidez. Ah! E se o pai se infectar enquanto o bebê já estiver a caminho, deve-se ter relação protegida durante toda a gestação.

Mulheres que contraíram a doença, podem amamentar?

Se a mulher teve o vírus durante a gestação, deve sim amamentar, pois o bebê já tem anticorpos contra a doença. Se a infeção acontecer após o nascimento do bebê, a história muda. Ainda não se conhece o risco relacionado à amamentação nesta situação.

Em quanto tempo teremos a vacina contra o Zika Vírus?

Pesquisadores do mundo inteiro estão correndo para desenvolver a vacina! Pensa como se sentirá o primeiro que chegar lá?! Acredita-se que isso vai demorar entre 3 e 5 anos. Por enquanto, devemos nos prevenir de outras formas.

O texto foi longo, mas necessário! Espero que você tenha aproveitado a leitura! Se curtiu, encaminhe para seus amigos e familiares. 

2 comentários sobre “Deu a Zika! O guia mais completo e esclarecedor sobre o Zika Vírus da internet!

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