Vitamina D: suplementar ou não suplementar? Eis a questão!

E não é que, de uma hora para outra, todo mundo tem deficiência de vitamina D?! Fico angustiado com a quantidade de gente que chega no consultório e faz uso da vitamina, sem ao menos saber se realmente precisa! “A nutricionista da minha amiga disse que era bom”. Hmmmm… Mas disse que era bom pra sua amiga, certo?! Povo doido!

Exageros à parte, é importante falarmos sobre essa vitamina. Ela auxilia no metabolismo do cálcio, e consequentemente dos ossos. Se a vitamina D está baixa, temos dificuldade para absorver o cálcio dos alimentos e acabamos retirando este mineral dos próprios ossos. Na criança isso pode acarretar em atraso do crescimento e desenvolvimento, irritabilidade, dores no corpo e até raquitismo; nos adolescentes e adultos pode ocorrer osteomalácia (enfraquecimento dos ossos). Além disso, há indícios de associação entre deficiência de vitamina D com diabetes, doenças alérgicas (como asma, rinite e alergia alimentar), doença cardiovascular, alguns tipos de câncer e até depressão, mas ainda são hipóteses que não foram totalmente comprovadas.

Plantas e fungos são fontes de vitamina D2. Sardinha, atum, salmão (de verdade), fígado de boi (não tenho mais coragem de indicar, pela quantidade de toxinas que passam por ele), iogurte natural e gema de ovo são fontes de vitamina D3. Porém, a maior parte da vitamina D que utilizamos é sintetizada pela ação dos raios UVB na pele. Independente da fonte, há um processamento da vitamina pelo fígado e rins até obtermos a forma ativa.

Lembro dos tempos de criança (sim, já posso falar assim! hehehe) onde o intervalo da escola acontecia em uma área aberta. Tinha uma pequena árvore no centro do pátio que mal fazia sombra. Então eu recebia uma dose diária de sol (das 10h às 10h15min), e, provavelmente conseguia manter minha vitamina D em dia. Hoje, muitas crianças fazem o recreio dentro da própria sala de aula, sem contar que chegam na escola de carro, protegidas do sol.

Exposição direta ao sol por 15 minutos, entre 10 e 15h é o suficiente para a síntese de vitamina D em crianças de pele clara. Crianças com pele mais escura, precisam se expor ao sol por mais de tempo. O horário não é um dos melhores, mas note que eu falei 15 minutos! Nade de vir torrado no consultório dizendo que foi orientação do Dr. Thiago!

Bebês em aleitamento materno exclusivo, principalmente os prematuros são mais susceptíveis ao desenvolvimento da deficiência de vitamina D, por isso suplementamos rotineiramente. A galerinha entre 9 e 18 anos, pelo período de aceleração do crescimento, também pode necessitar da vitamina. Crianças com obesidade, doenças renais e do intestino, além das que seguem dietas vegetarianas, apresentam deficiência de vitamina D com mais frequência e por isso são candidatas à suplementação.

A Sociedade Brasileira de Pediatria não indica fazer exame rotineiro de vitamina D. Por outro lado, sugere que o grupo de risco (incluindo as crianças que não se expõem suficientemente ao sol) sejam investigadas. Converse com seu pediatra sobre o assunto. Ele poderá te orientar sobre exposição ao sol, necessidade de exame e tratamento.

2 comentários sobre “Vitamina D: suplementar ou não suplementar? Eis a questão!

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