Picadas de mosquitos e outros insetos: o que você deve saber.

Ô tempinho bão!! Sol, calor, verão… Quem não gosta (além de mim!)? Mas como nada é só maravilha, tem aquela parte chata que acompanha essa época do ano: os insetos entram de férias na mesma época! E adivinha: gostam dos mesmos lugares que os humanos desocupados. O resultado você já sabe: lesões de pele que podem ser imperceptíveis até reações mais graves.

Você sabia que há reação alérgica até à saliva do inseto?! É conhecida como prurigo estrófulo ou urticária papular, e ocorre, geralmente, após os seis meses de vida. Inicialmente, as reações costumam ser discretas. Tornam-se progressivamente mais intensas, até os 10 anos, quando voltam a regredir. Sabe aquele monte de lesão vermelha que não dá de acreditar que são todas picadas? É disso que estou falando. Uma única picada do inseto pode gerar várias lesões ao redor.

Mosquitos, pulgas e carrapatos utilizam o sangue humano para sua alimentação. São os principais vilões! E olha quanta tecnologia (chega a parecer filme de ficção!): alguns deles apresentam anticoagulante para evitar a obstrução das vias de alimentação e até anestésicos na saliva, para que o humano não sinta a picada e, consequentemente, não dê aquela “bifa” no pobre coitado, encurtando sua vida.

Lesões em regiões expostas, como braços e pernas, são geralmente ocasionadas por vilões voadores (como mosquitos e pernilongos). Já o tronco é acometido pelos “andadores”, como pulgas e percevejos (eu diria “puladores”). As pulgas podem ser do tipo humana (Pulex irritans), como de gatos e cães. Inicialmente as lesões causam coceira, duram até 4 a 6 semanas, e as cicatrizes esbranquiçadas persistem por meses.

Não é fácil identificar o inseto causador da picada e também não há indicação de se fazer exame para identificá-lo. As lesões podem surgir até alguns dias após a picada e persistir por semanas. Para lidar com essa inconveniência toda, lembre-se da Lei dos 3 P’s: prevenção da picada, controle do prurido (coceira) e paciência (muuuuita paciência). O principal é realmente a prevenção, para que os outros dois P’s não precisem entrar em ação!

Os mosquitos do tipo Anopheles procuram comida no nascer e pôr do sol. Por isso o velho hábito de fechar a casa antes de escurecer. O uso de telas nas janelas e portas é bastante adequado. Os repelentes elétricos podem ser utilizados próximos às janelas e portas. Eu não gosto muito de indicá-los em função da liberação contínua, que aumenta a inalação do produto, além de haver o risco de serem ingeridos acidentalmente pela criança. Os aparelhos ultrassônicos ou que emitem luzes ainda não possuem eficácia comprovada. Os sprays de permetrina podem ser utilizados no ambiente e nas telas de janelas, mas nunca diretamente sobre a pele. Se for usar no quarto, por exemplo, faça-o uma hora antes de dormir, para dar tempo de o produto decantar.

Durante a noite, pode-se usar o mosquiteiro (desde que você tenha certeza de que todos os insetos ficaram do lado de fora!). Uma dica é borrifar um pouco de permetrina (inseticida spray) no mosquiteiro, antes do bebê dormir. Não esqueça de cobrir o berço com um lençol ao fazer esse procedimento, retirando-o pouco antes de deitar o bebê. Isso evita que o produto fique em contato com o seu pequeno (lembre-se que queremos matar apenas os insetos!).

O Aedes (aquele famoso, transmissor da dengue, zika e chikungunya), gosta do dia e áreas abertas, sendo importante o uso de repelentes tópicos e roupas compridas. Nem vou falar da limpeza da área ao redor da casa. Sabe aquele blá blá blá de água parada nos pneus e vasos?! Pois bem…

Os repelentes podem ser utilizados nas situações de exposição e devem ser evitados durante o sono. Eles atuam formando uma camada de vapor com cheiro que os insetos não gostam, afastando-os. Evitamos o uso de repelentes em menores de 6 meses, devendo ser utilizado apenas quando a exposição for inevitável (seu médico deve ser consultado). Acima de 6 meses, podemos usar repelentes à base de IR3535, com proteção de até 4 horas, e icaridina em gel, com proteção de até 10 horas. Crianças maiores de 2 anos podem utilizar produtos com DEET. E para quem gosta de medidas “naturebas”, o óleo de capim-limão pode ser utilizado como repelente, desde que em concentração adequada. O óleo de citronela, apesar da fama, oferece proteção muito curta, pois evapora rapidamente.

A Sociedade Brasileira de Pediatra dá algumas orientações quanto ao uso dos repelentes tópicos:

  • Nunca devem ser aplicados nas mãos das crianças, pois elas podem esfregar nos olhos ou colocar na boca.
  • Nunca aplique na face ou sobre lesões de pele.
  • Siga as instruções do fabricante quanto à quantidade e tempo recomendado de aplicação.
  • Assim que chegar em casa do passeio, retire o repelente com um banho.
  • A criança não deve dormir com o repelente aplicado pelo risco de reações alérgicas e intoxicação (se usado em excesso).
  • Aplicar com mais frequência se o tempo estiver muito quente ou se as crianças suarem muito.
  • Pode-se aplicar protetor solar e repelente, desde que com intervalo de 20 a 40 minutos (primeiro o protetor solar) para que não ocorra redução do efeito contra os insetos.
  • A apresentação loção cremosa e gel são as mais seguras (comparadas com spray) e devem ser preferidas para crianças.

Se todas as medidas de proteção falharem e seu filho apresentar lesões de pele, converse com seu médico, pois ele saberá o melhor tratamento. Podemos utilizar medicação para reduzir a coceira, pomada para inflamação e até antibiótico, se houver infecção. Por isso, ele sempre deve ser consultado. E aqui fica a dica: não mande fotos por Whatsapp dessas lesões. As fotos podem dar uma ideia equivocada do problema, fazendo com que seu filho não tenha o melhor tratamento. Além disso, o Conselho de Medicina PROÍBE tratamento médico à distância. Seja bacana com seu pediatra e não o deixe em uma situação desconfortável. Agora que você tem essa informação, substitua o “não custa tentar” pelo “sou informado, e respeito meu pediatra”.

Ótimo verão pra vocês!

4 comentários sobre “Picadas de mosquitos e outros insetos: o que você deve saber.

  1. Eu adorei o texto. Infelizmente nem todos os pais tiram uns min para ler. E chegam no consultório e fazem as perguntas ja respondidas aqui.

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s