Ingestão de bebidas açucaradas na gestação aumenta adiposidade nas crianças.

Um estudo publicado recentemente na Pediatrics nos traz um alerta: mães que ingerem uma quantidade maior de bebidas açucaradas nos primeiros meses de gestação têm filhos com maior adiposidade na infância.

Os pesquisadores avaliaram a quantidade de bebidas açucaradas que as mães ingeriram nos dois primeiros meses de gestação e depois avaliaram as crianças em idade escolar (média de 7.7 anos).

Quanto maior a ingestão desse tipo de bebida pela gestante, maior foi o IMC, gordura corporal total e abdominal da criança. O estudo sugeriu que a associação ocorreu principalmente com a ingestão pela mãe e não pela criança, e o refrigerante foi mais significativo do que suco de frutas. Não foram encontradas diferenças entre meninos e meninas.

Portanto, fica o alerta! Mais um estudo para reforçar a necessidade de uma dieta equilibrada antes, durante e após o nascimento do bebê.

Fonte: Pediatrics, 2017.

 

 

Novidade: Sessão Ciência

Olá gente, tudo bem!?

Quero agradecer a todos que estão visitando o Blog Thiago Pediatra! Tenho recebido diversas mensagens de mães e pais tirando dúvidas, alunos e colegas médicos sugerindo temas! Tem até futuras mamães perguntando antes de ficarem grávidas! É um prazer enorme saber que as informações disponibilizadas aqui, por mais simples que sejam, podem extrapolar as paredes do consultório e alcançar mais famílias!

Hoje foi engraçado… Recebi mensagem de uma mãe de paciente que vai lá no consultório, perguntando sobre o que fazer para o resfriado da filha. Logo em seguida, sem eu ainda ter respondido, recebo uma segunda mensagem falando que ela tinha acabado de ler sobre o tema no Blog (“já te adiantasse com esses pais, hein?!”) e que aguardaria mais um pouco, antes de medicá-la! Bingo! Então fica a dica: antes de perguntar para o pediatra, procure no Blog para saber seu eu já não escrevi sobre o tema! hehehe

Se não bastasse, no fim da tarde, mais uma pessoa conhecida: “Thiago, minha filha estava com resfriado. A avó queria que eu a levasse no plantão. Encaminhei o Blog pra ela e pronto! Entendeu que ainda não era a hora!”. Maravilha, hein?!

Quero deixar claro que os textos não tem função prescritiva, mas sim informativa. Não tenho a intenção de substituir consultas e orientações dadas pelo seu médico, mas de informar com qualidade e simplicidade e abrir a possibilidade de uma boa discussão sobre os temas. Acredito que pais bem informados tornam-se grandes aliados do pediatra no acompanhamento de seus filhos!

E qual a novidade? Bem… Percebendo o público que anda frequentando o Blog, acabei de criar a sessão “CIÊNCIA”, onde trarei artigos que podem ser interessantes para acadêmicos de medicina, residentes de pediatria e pediatras! Comentarei os artigos de forma simples, com textos acessíveis também para os pais e outros leitores. Clique aqui e confira o primeiro artigo!

Se você quiser contribuir ou fazer algum comentário, entre em contato!

Thiago Pediatra

Desenvolvimento precoce de adiposidade em filhos de mães diabéticas

Um artigo publicado recentemente na revista Diabetes Care, da Associação Americana de Diabetes, traz um resultado bastante interessante sobre uma possível via de desenvolvimento de problemas metabólicos.

Segundo os autores, filhos de mães com diabetes mellitus gestacional apresentam maior adiposidade corporal nos primeiros meses de vida quando comparados a crianças nascidas de mães sem diabetes. A quantidade de tecido adiposo e a distribuição da gordura corporal foram avaliadas com duas semanas de vida e depois entre 2 e 3 meses, utilizando-se a ressonância magnética. Participaram do estudo 42 bebês, filhos de mães diabéticas (com bom controle glicêmico durante a gestação), e 44 pequenos sem esta condição (grupo controle). Os lactentes de ambos os grupos receberam leite materno, predominantemente.

Na primeira avaliação (média de 11 dias de vida), a quantidade de tecido adiposo era igual nos dois grupos. Quando reavaliados com 10 semanas de vida (em média), os bebês nascidos de mães diabéticas já apresentavam maior quantidade de gordura corporal quando comparados ao grupo controle.

E qual a importância disso? Estamos falando de bebês que tem uma maior tendência de acumular gordura já aos 10 meses de vida! Será que estamos demorando muito tempo para tomar as condutas preventivas adequadas? Qual o melhor alimento para estes bebês na impossibilidade do aleitamento materno? Os autores terminam o artigo sugerindo que a redução da adiposidade no período pós-natal pode ser um caminho para a redução de riscos futuros à saúde. Quem sabe?!

Na prática, a avaliação de adiposidade (quantidade de gordura corporal) das crianças pequenas não é rotineiramente realizada. Porém, podemos controlar o peso e o crescimento, utilizando materiais simples como balança e antropômetro (régua que mede os bebês), com grandes benefícios. Ao avaliar o bebê mês a mês, podemos contribuir muito na prevenção de doenças crônicas comuns do adulto. As medidas devem ser realizadas de forma criteriosa e sempre confirmadas. Pesar não é uma tarefa difícil, mas você tem que saber o que fazer com o dado que obteve. Não esqueça que já foi o tempo em que saudável era o bebê gorducho!