Mensagem de Dia das Crianças

Como pediatra, aproveito o Dia das Crianças para desejar sanidade mental aos adultos: parem de querer “adultizar” seus pequenos!

Deixem as crianças viverem como crianças, deixem as crianças terem acesso a brinquedos, a espaços abertos, ao contato com outras crianças. Tirem-nas do celular, tablet, televisão.

Deixem as crianças experimentarem as relações com seus pares, deixem passar um pouquinho de trabalho, deixem-nas entenderem suas limitações e chorarem como crianças, fazerem birra. Evitem fazer tudo o que elas querem. São crianças!!

Parem de achar que seus filhos são os melhores, mais inteligentes, mais espertos, maiores e mais desenvolvidos. Se vocês precisam disso, é possível que eles não precisem! No futuro será duro perceber suas reais limitações. Orgulhem-se de ter em casa um filho como ele é.

Parem de perguntar quem é o namoradinho ou namoradinha, parem de expor os pequenos às novelas da TV, parem de vesti-los como adultos, parem de deixá-los ver/ouvir coisas que são de adultos. Ainda existe hora de criança dormir! Sim! Eles precisam dormir mais que os adultos. Assumam o papel de pais. Sim! Isso é função de pai e mãe (mesmo que pareça difícil de fazer nos dias de hoje).

Façam a tarefinha de casa e estimulem, procurem, incentivem coisas de criança. Orgulhem-se de ter uma criança de 11, 12 anos em casa. Percebam como algo estranho terem um mini adulto de 6, 7 anos. Frustrem-se com isso, procurem ajuda, mas não finjam que não estão vendo.

Enfim… Nesse dia 12, desejo que consigamos manter nossa essência, nossa espontaneidade, nossa alegria e sensibilidade de criança, e não que roubemos esses presentes precocemente de nossos pequenos.

Feliz Dia das Crianças!!

Meu filho é o “mais”!

Ouço todos os dias frases do tipo: “O meu filho é o mais inteligente”; “Ele é mais esperto que os amigos”; “Não é por nada, mas conheço outras duas crianças, e o meu filho é o mais ágil”. “Ele já mexe no tablet. Aprendeu sozinho!”… Com tantos superpoderes vindos de fábrica, as crianças não precisam se esforçar mais para nada. Oras, se já são os “mais”, para que o esforço?!

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