Mensagem de Dia das Crianças

Como pediatra, aproveito o Dia das Crianças para desejar sanidade mental aos adultos: parem de querer “adultizar” seus pequenos!

Deixem as crianças viverem como crianças, deixem as crianças terem acesso a brinquedos, a espaços abertos, ao contato com outras crianças. Tirem-nas do celular, tablet, televisão.

Deixem as crianças experimentarem as relações com seus pares, deixem passar um pouquinho de trabalho, deixem-nas entenderem suas limitações e chorarem como crianças, fazerem birra. Evitem fazer tudo o que elas querem. São crianças!!

Parem de achar que seus filhos são os melhores, mais inteligentes, mais espertos, maiores e mais desenvolvidos. Se vocês precisam disso, é possível que eles não precisem! No futuro será duro perceber suas reais limitações. Orgulhem-se de ter em casa um filho como ele é.

Parem de perguntar quem é o namoradinho ou namoradinha, parem de expor os pequenos às novelas da TV, parem de vesti-los como adultos, parem de deixá-los ver/ouvir coisas que são de adultos. Ainda existe hora de criança dormir! Sim! Eles precisam dormir mais que os adultos. Assumam o papel de pais. Sim! Isso é função de pai e mãe (mesmo que pareça difícil de fazer nos dias de hoje).

Façam a tarefinha de casa e estimulem, procurem, incentivem coisas de criança. Orgulhem-se de ter uma criança de 11, 12 anos em casa. Percebam como algo estranho terem um mini adulto de 6, 7 anos. Frustrem-se com isso, procurem ajuda, mas não finjam que não estão vendo.

Enfim… Nesse dia 12, desejo que consigamos manter nossa essência, nossa espontaneidade, nossa alegria e sensibilidade de criança, e não que roubemos esses presentes precocemente de nossos pequenos.

Feliz Dia das Crianças!!

BLW protege contra obesidade?

O BLW (baby-led weaning) é uma técnica em que a criança controla o ritmo de seu desmame, ou introdução alimentar, por meio de oferta de alimentos sólidos e não papas como costumamos oferecer. Muito se fala dessa nova forma de oferecer os alimentos. Na verdade, adoramos uma “moda” alimentar. Mas como tudo que é novo na medicina, precisamos ter cautela para saber os reais benefícios e riscos de mudar.

Em um estudo publicado neste mês no JAMA Pediatrics, os autores comparam dois grupos de crianças: 105 que foram apresentados ao alimento por meio da técnica BLW e 101 com introdução alimentar tradicional, ou seja, por meio das papas. As crianças foram avaliadas com 12 e 24 meses e o que eles queriam saber, principalmente, era se o BLW protegia as crianças de obesidade e se realmente era segura.

O grupo BLW apresentou mais satisfação com a comida (aos 12 e 24 meses), porém menor resposta à saciedade, o que levou à um discreto aumento do IMC, que, segundo os autores, não foi uma diferença significativa. Além disso, não houve diferença nos eventos de engasgo, de ingestão energética (os dois grupos consumiram a mesma quantidade de calorias) e no risco para anemia por deficiência de ferro.

Uma observação importante deste estudo é que a autorregulação não necessariamente protege contra a obesidade, sugerindo que a supervisão dos adultos é importante para evitar o excesso de ganho de peso.

Lembro que uma das principais funções das consultas de rotina da criança é acompanhar o ganho de peso e crescimento, possilitando aos pais saberem se estão no caminho certo. Seja por BLW ou de forma tradicional, o acompanhamento profissional é importante para garantir o ótimo desenvolvimento de seu filho.

Fonte: JAMA Pediatr. 2017 Jul 10. doi: 10.1001/jamapediatrics.2017.1766. [Epub ahead of print]

Ingestão de bebidas açucaradas na gestação aumenta adiposidade nas crianças.

Um estudo publicado recentemente na Pediatrics nos traz um alerta: mães que ingerem uma quantidade maior de bebidas açucaradas nos primeiros meses de gestação têm filhos com maior adiposidade na infância.

Os pesquisadores avaliaram a quantidade de bebidas açucaradas que as mães ingeriram nos dois primeiros meses de gestação e depois avaliaram as crianças em idade escolar (média de 7.7 anos).

Quanto maior a ingestão desse tipo de bebida pela gestante, maior foi o IMC, gordura corporal total e abdominal da criança. O estudo sugeriu que a associação ocorreu principalmente com a ingestão pela mãe e não pela criança, e o refrigerante foi mais significativo do que suco de frutas. Não foram encontradas diferenças entre meninos e meninas.

Portanto, fica o alerta! Mais um estudo para reforçar a necessidade de uma dieta equilibrada antes, durante e após o nascimento do bebê.

Fonte: Pediatrics, 2017.

 

 

Meu filho é o “mais”!

Ouço todos os dias frases do tipo: “O meu filho é o mais inteligente”; “Ele é mais esperto que os amigos”; “Não é por nada, mas conheço outras duas crianças, e o meu filho é o mais ágil”. “Ele já mexe no tablet. Aprendeu sozinho!”… Com tantos superpoderes vindos de fábrica, as crianças não precisam se esforçar mais para nada. Oras, se já são os “mais”, para que o esforço?!

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Febre amarela: fique ligado!

E com a notícia dos casos de febre amarela, vem aquele povo doido querendo vacinar até contra a sogra! Ops… Vacinar até a sogra! Calma gente, calma aí… Vamos ver o que está acontecendo primeiro, depois a gente se apavora junto! É muito bicho pra se preocupar: dengue, chikungunya, zika e agora a febre amarela. Coitada da gripe, ficou miúda no meio dessa galera! Espero que não se rebele no próximo inverno.

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Troca de fralda

Você sabe como higienizar a área de fraldas do bebê? São tantas informações na internet, que chegamos a ficar confusos! Infelizmente, muitas delas são alavancadas pela comercialização de centenas de produtos, fazendo com que a simples troca de fralda ganhe um ar sofisticado e complexo, parecendo impossível de ser executado por qualquer pessoa.

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Picadas de mosquitos e outros insetos: o que você deve saber.

Ô tempinho bão!! Sol, calor, verão… Quem não gosta (além de mim!)? Mas como nada é só maravilha, tem aquela parte chata que acompanha essa época do ano: os insetos entram de férias na mesma época! E adivinha: gostam dos mesmos lugares que os humanos desocupados. O resultado você já sabe: lesões de pele que podem ser imperceptíveis até reações mais graves.

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